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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Dinheiro público vira arte: Gilson Nagrin destina recursos à Banda Euterpe defende cultura como política de proteção

 

Parlamentar visita evento da Corporação Euterpe, comprova aplicação dos recursos e declara: "Quando o projeto cuida bem de uma criança, não tem como não deixar o pai feliz"

 Num gesto que misturou política, afeto e responsabilidade pública, o vereador Gilson Nagrin esteve presente no espetáculo Floresta Encantada, promovido pela Corporação Musical Euterpe e falou da destinação de emenda parlamentar à instituição, que atende crianças e jovens da comunidade. Mais do que um ato administrativo, a ocasião que contou com a presença do Sr. Helison de Oliveira e do Maestro Marcos Roberto de Souza tornou-se um raro exemplo de prestação de contas feita ao vivo, diante das famílias diretamente beneficiadas pelo investimento.

 O recurso, que pertence ao povo

 Ao tomar a palavra, o parlamentar fez questão de deixar clara a natureza do repasse. A emenda impositiva, explicou ele, não é um presente do vereador nem um favor político — é, nas suas próprias palavras, "dinheiro do povo voltando para o povo”.

 Arrecadado por meio de impostos e redistribuído pelo mandato a entidades de comprovada atuação social, o recurso cumpre, por esse mecanismo constitucional, um caminho de volta às mãos de quem mais precisa. As chamadas emendas impositivas são instrumentos previstos na legislação que obrigam o Poder Executivo a executar os repasses indicados pelos parlamentares, desde que respeitadas as finalidades estabelecidas. O que os diferencia de outras formas de destinação orçamentária é exatamente o caráter vinculante: o dinheiro precisa ir para onde foi indicado. Neste caso, foi para a cultura.

 Uma convicção construída na prática

 A escolha não é aleatória. O vereador revelou ao público uma relação pessoal e visceral com a arte que justifica seu engajamento na causa: ele próprio tocou bateria, a esposa canta e o filho pratica instrumentos. A música, para ele, não é abstração — é rotina doméstica, linguagem familiar, memória afetiva. Mas há também uma cicatriz que o move. O parlamentar contou que, antes de assumir o mandato, esteve envolvido em um projeto musical comunitário que não prosperou. O motivo? Falta de espaço físico adequado. A experiência frustrada, em vez de desanimar, funcionou como combustível: ao chegar à Câmara, ele decidiu que a cultura seria uma de suas prioridades — área que, segundo ele mesmo reconheceu, costuma ser sistematicamente deixada de lado nas políticas públicas.

 Cultura como escudo social

 O argumento central do discurso vai além da valorização artística. Para o vereador, investir em música para crianças e jovens é, antes de tudo, uma estratégia de proteção social. Em sua visão, o instrumento musical nas mãos de uma criança vulnerável funciona como um escudo contra os riscos do abandono e da marginalidade e, ao mesmo tempo, como uma porta de entrada para perspectivas profissionais concretas no futuro. É uma concepção que encontra respaldo em estudos e experiências ao redor do mundo, que apontam a educação musical como fator associado ao desenvolvimento cognitivo, à disciplina, ao trabalho coletivo e à construção de autoestima em populações em situação de vulnerabilidade.

 Diferente do que costuma ocorrer em muitas destinações orçamentárias em que o recurso é empenhado no papel e nunca mais acompanhado de perto , o vereador foi ao local ver com os próprios olhos. Ao chegar no evento e observar o trabalho desenvolvido, declarou que o investimento está sendo aplicado "muito bem\", sem rodeios e diante de todos. A atitude, simples em aparência, carrega um peso simbólico considerável: a fiscalização deixou de ser um procedimento burocrático e se tornou um ato público, transparente e verificável por qualquer pessoa presente naquele dia.

 A frase que resumiu tudo

 No encerramento de sua fala, o parlamentar abandonou o vocabulário técnico e entregou, em uma única sentença, o espírito de todo o seu discurso: "Quando o projeto cuida bem de uma criança, não tem como não deixar o pai feliz.” A declaração espontânea, carregada de emoção pode se referir ao envolvimento do próprio filho nas atividades musicais, ou simplesmente ao impacto que o trabalho da Corporação Euterpe provoca nas famílias atendidas.

 De qualquer forma, ela diz algo que nenhum relatório de gestão consegue capturar: que, por trás de cada emenda parlamentar bem aplicada, há uma criança que cresceu um pouco mais protegida e um adulto que viu nisso razão suficiente para agir.

 
A Corporação Euterpe represente um estudo de caso sobre o uso eficiente de recursos públicos em cultura e proteção infanto-juvenil e sobre como o mandato parlamentar pode, quando bem exercido, transformar imposto em instrumento, e instrumento em futuro.

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