Parlamentar visita
evento da Corporação Euterpe, comprova aplicação dos recursos e declara:
"Quando o projeto cuida bem de uma criança, não tem como não deixar o pai
feliz"
Num gesto que misturou
política, afeto e responsabilidade pública, o vereador Gilson Nagrin esteve
presente no espetáculo Floresta Encantada, promovido pela Corporação Musical
Euterpe e falou da destinação de emenda parlamentar à instituição, que atende
crianças e jovens da comunidade. Mais do que um ato administrativo, a ocasião — que contou
com a presença do Sr. Helison de Oliveira e do Maestro Marcos Roberto de Souza — tornou-se um
raro exemplo de prestação de contas feita ao vivo, diante das famílias
diretamente beneficiadas pelo investimento.
O recurso, que
pertence ao povo
Ao tomar a palavra, o
parlamentar fez questão de deixar clara a natureza do repasse. A emenda
impositiva, explicou ele, não é um presente do vereador nem um favor político — é, nas suas próprias
palavras, "dinheiro do povo voltando para o povo”.
Arrecadado por meio de
impostos e redistribuído pelo mandato a entidades de comprovada atuação social,
o recurso cumpre, por esse mecanismo constitucional, um caminho de volta às mãos
de quem mais precisa. As chamadas emendas impositivas são instrumentos
previstos na legislação que obrigam o Poder Executivo a executar os repasses
indicados pelos parlamentares, desde que respeitadas as finalidades
estabelecidas. O que os diferencia de outras formas de destinação orçamentária é exatamente o caráter vinculante: o dinheiro precisa
ir para onde foi indicado. Neste caso, foi para a cultura.
Uma convicção construída
na prática
A escolha não é aleatória. O vereador revelou ao público uma relação pessoal e visceral com a
arte que justifica seu engajamento na causa: ele próprio tocou bateria, a
esposa canta e o filho pratica instrumentos. A música, para ele, não é abstração — é rotina
doméstica,
linguagem familiar, memória afetiva. Mas há também uma cicatriz que o move. O parlamentar contou que, antes de assumir o
mandato, esteve envolvido em um projeto musical comunitário que não
prosperou. O motivo? Falta de espaço físico adequado. A experiência frustrada, em vez de
desanimar, funcionou como combustível: ao chegar à Câmara, ele decidiu que a
cultura seria uma de suas prioridades — área que, segundo ele mesmo reconheceu,
costuma ser sistematicamente deixada de lado nas políticas públicas.
Cultura como escudo social
O argumento central do
discurso vai além da valorização artística. Para o vereador, investir em música para crianças e jovens é, antes de tudo, uma
estratégia
de proteção social. Em sua visão, o instrumento musical nas mãos de uma criança vulnerável
funciona como um escudo contra os riscos do abandono e da marginalidade — e, ao mesmo
tempo, como uma porta de entrada para perspectivas profissionais concretas no
futuro. É uma concepção que encontra respaldo em estudos e experiências ao
redor do mundo, que apontam a educação musical como fator associado ao
desenvolvimento cognitivo, à disciplina, ao trabalho coletivo e à construção de
autoestima em populações em situação de vulnerabilidade.
Diferente do que costuma
ocorrer em muitas destinações
orçamentárias — em que o recurso é empenhado no papel e nunca mais acompanhado de perto —, o vereador
foi ao local ver com os próprios olhos. Ao chegar no evento e observar o
trabalho desenvolvido, declarou que o investimento está sendo aplicado
"muito bem\", sem rodeios e diante de todos. A atitude, simples em
aparência, carrega um peso simbólico considerável: a fiscalização deixou de ser um procedimento burocrático e se
tornou um ato público,
transparente e verificável por qualquer pessoa presente
naquele dia.
A frase que resumiu
tudo
No encerramento de sua
fala, o parlamentar abandonou o vocabulário técnico e entregou, em uma única sentença, o espírito de todo o seu discurso:
"Quando o projeto cuida bem de uma criança, não tem como não deixar o pai
feliz.” A declaração — espontânea, carregada de emoção — pode se referir ao
envolvimento do próprio filho nas atividades musicais, ou simplesmente ao impacto que o
trabalho da Corporação Euterpe provoca nas famílias atendidas.
De qualquer forma, ela
diz algo que nenhum relatório de gestão consegue capturar: que, por trás
de cada emenda parlamentar bem aplicada, há uma criança que cresceu um pouco
mais protegida — e um adulto que viu nisso razão suficiente para agir.
A Corporação Euterpe represente
um estudo de caso sobre o uso eficiente de recursos públicos em cultura e
proteção infanto-juvenil —
e sobre como o mandato parlamentar pode, quando bem
exercido, transformar imposto em instrumento, e instrumento em futuro.
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