A política de segurança em Pindamonhangaba viveu dias de tensão e contradições na Câmara Municipal. Após um adiamento estratégico de uma semana (com placar de 6x4), o projeto de lei do prefeito Ricardo Piorino, que reduz o efetivo da Atividade Delegada de 21 para 16 policiais militares, foi finalmente aprovado por 8 votos a 2.
A manobra, vendida pela administração como uma
"adequação", revelou uma ferida aberta: a falta de valorização
financeira da tropa e a fragilidade do planejamento municipal.
A Conta que Não
Fecha
A reunião entre o Capitão PM Campos Neto, o Secretário de
Segurança Paulo Henrique e o Secretário de Finanças Alan Dias foi o balde de
água fria nos vereadores que pleiteavam a manutenção dos 21 homens. A
justificativa oficial? Pinda não tem previsão orçamentária. Para conseguir
aumentar o valor da diária de 6 horas — que saltará de minguados R$ 198,00 para
R$ 270,00 a partir do mês que vem — o governo municipal precisou cortar no
número de braços. Mesmo com o reajuste, Pindamonhangaba continua na lanterna da
região: cidades como Tremembé, Taubaté, Aparecida, Guaratinguetá e Lorena já
pagam diárias superiores a R$ 300,00.
O Jogo de Cena no
Plenário
O que se viu na votação foi um espetáculo de incoerência.
Um parlamentar, que anteriormente chegou a bater na mesa classificando a
redução como "inadmissível", sucumbiu ao peso da base aliada. Na hora
do "vamos ver", usou a tribuna para "justificar o
injustificável": votou com a administração, aprovando menos segurança para
a população.
A defesa da prefeitura é que, embora o convênio previsse 21
vagas, o município já operava com 16. O que o governo esquece de enfatizar é
que as 5 vagas remanescentes nunca foram preenchidas justamente pelo baixo
valor pago, que torna a escala pouco atrativa para o policial.
Oposição e Verbas:
Onde está o dinheiro?
Os votos contrários vieram de Norberto de Moraes e Ana
Paula (que classificou a medida como falta de respeito e desvalorização dos
agentes). Norberto foi enfático:
"Pindamonhangaba precisa de muito mais policiais, mas
isso não ocorrerá em 2026 por pura falta de orçamento. A Câmara precisa
trabalhar agora para que em 2027 a segurança não seja a última
prioridade."
Enquanto o orçamento municipal aperta o cinto, emendas
parlamentares tentam tapar o buraco:
Norberto de Moraes: R$ 200 mil (via Dep. Telhada).
Marco Mayor: R$ 400 mil (via Dep. Marta Costa).
Ana Paula: R$ 250 mil (via Dep. Da Cunha).
Ficou no ar o questionamento ácido aos vereadores do PL e
Republicanos, que, até o momento, não anunciaram um centavo sequer em emendas
para a pasta.
Tecnologia ou
"Puxadinho" Eleitoral?
O líder do governo, Professor Everton Chinaque, tentou
equilibrar o discurso cobrando mais empenho dos colegas em ano eleitoral,
exigindo viaturas e salários dignos. Contudo, o clima esquentou quando um vídeo
de Piorino foi exibido, prometendo monitoramento por Inteligência Artificial em
40 pontos da cidade — uma espécie de "Muralha Paulista" local.
A réplica de Norberto foi imediata e certeira: lembrou que
o processo licitatório de R$ 168 milhões para essa tecnologia foi suspenso pelo
Tribunal de Contas do Estado (TCE). Ou seja: enquanto o governo faz propaganda
de segurança tecnológica suspensa, corta no efetivo humano por falta de verba.
No fim das contas, a segurança de Pinda segue em marcha
lenta, entre promessas de câmeras que não funcionam e policiais que recebem o
pior salário da região.
Gostaria que eu adaptasse este texto para uma postagem de
rede social (mais curta e direta) ou para um roteiro de vídeo de denúncia?









