A
política no município de Caçapava vive dias de intensa polarização, misturando
divergências administrativas e desavenças familiares. No centro do embate estão
o prefeito do município, Yan Lopes (Podemos), e a vereadora Fran Miranda (PL),
que é tia do chefe do Executivo. A crise ganhou novos capítulos com o avanço de
um processo de cassação na Câmara Municipal e um recente tumulto registrado em
praça pública.
O
clima de tensão atingiu o ápice após a abertura de uma Comissão Processante no
Legislativo para investigar supostas irregularidades no uso de recursos
públicos. A denúncia apura o destino e a aplicação de mais de R$ 2 milhões que
deveriam ser geridos pelo Fundo Municipal de Transporte.
O
prefeito Yan Lopes utilizou suas redes sociais para se defender publicamente
das acusações. Em pronunciamento gravado em vídeo, Lopes classificou o processo
de cassação como um "circo" e acusou diretamente a tia de transferir
uma briga de âmbito estritamente familiar para dentro do plenário da Câmara com
o objetivo de prejudicar sua gestão e sua defesa. A tramitação do caso tem sido
marcada por dificuldades da Casa em notificar oficialmente o prefeito, além de constantes
discussões entre grupos governistas e de oposição.
A
vereadora Fran Miranda rebateu as críticas na tribuna da Câmara Municipal. A
parlamentar afirmou que o laço de parentesco com o prefeito não anula e nem
interfere em sua obrigação constitucional e legal de fiscalizar as ações do
Poder Executivo. Segundo Miranda, os trabalhos da comissão investigativa seguem
rigorosamente o regimento interno do Palácio Legislativo Dr. José de Moura
Resende.
Refletindo
o acirramento dos ânimos institucionais, a disputa transbordou para o espaço
público no início deste mês de outubro. Uma confusão generalizada foi
registrada na Praça da Bandeira, localizada na região central da cidade,
envolvendo integrantes do grupo político do prefeito, apoiadores e um militante
ligado à oposição.
O
tumulto começou após um homem iniciar uma gravação em vídeo focada na
primeira-dama do município durante uma atividade política. Aliados do prefeito
intervieram, gerando um cenário de forte bate-boca, empurrões e agressões
verbais mútuas. O episódio terminou com o acionamento das forças de segurança e
o registro de um boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia Civil local.
A
Comissão Processante da Câmara Municipal mantém o cronograma de oitivas e
análise de documentos para emitir o parecer final que poderá definir o futuro
político da atual gestão de Caçapava.
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