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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Violências e seus impactos na aprendizagem escolar

 


 

Nas últimas décadas do século XX e, de forma mais intensa, no início do século XXI, o tema das violências no ambiente escolar passou a ocupar posição de destaque nos debates educacionais, suscitando um sentimento recorrente de insegurança ou, na melhor das hipóteses, uma falsa sensação de segurança, fenômenos que tensionam as relações humanas no espaço escolar. Entende-se por violência o uso intencional da força ou do poder contra outra pessoa, grupo ou comunidade, com potencial para causar danos físicos, psicológicos, emocionais ou sociais. Trata-se de um fenômeno social complexo que, gradativamente, vem sendo naturalizado em diferentes esferas da sociedade, provocando maior comoção apenas quando ocorre em contextos próximos à realidade das pessoas, despertando medo, indignação e reflexão.

No campo educacional, a violência pode manifestar-se de diferentes formas. Pode ocorrer na escola, praticada por membros da comunidade escolar ou por agentes externos; pode estar relacionada à escola, quando há depredação do patrimônio público ou outras ações que afetam a instituição; e pode configurar-se como violência da escola, compreendida como violência simbólica decorrente de práticas institucionais, normas ou relações de poder que produzem exclusão, discriminação ou subjugação dos estudantes. Independentemente da sua natureza, toda forma de violência escolar produz impactos significativos sobre o processo de ensino e aprendizagem, comprometendo o desenvolvimento cognitivo, o desempenho acadêmico, a permanência na escola e a saúde física e mental de estudantes, professores e demais integrantes da comunidade escolar.

Sob uma perspectiva histórica, a violência no Brasil está relacionada ao processo de formação social do país, marcado por profundas desigualdades econômicas, sociais e raciais. Esse contexto repercute diretamente no ambiente escolar, que, em muitos momentos, acaba reproduzindo estruturas de exclusão e desigualdade ao privilegiar determinados saberes e práticas culturais em detrimento de outros. Dados consolidados pelo Ministério da Educação (MEC) e levantamentos realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) evidenciam que as diversas formas de violência — incluindo a violência autoprovocada, a violência interpessoal, a violência coletiva, bem como as violências na escola, contra a escola e da escola — comprometem significativamente a aprendizagem, prejudicam a saúde mental dos estudantes e aumentam os níveis de estresse entre professores, gestores e familiares. Diante do crescimento das notificações de violência escolar nos últimos anos, entrou em vigor, em janeiro de 2024, a Lei nº 14.811/2024, que alterou o Código Penal brasileiro ao incluir o art. 146-A, tipificando os crimes de bullying e cyberbullying.

Para interromper ou minimizar o ciclo contínuo de violência nas instituições de ensino, torna-se imprescindível a adoção de medidas preventivas articuladas entre gestores escolares, professores, estudantes, famílias e demais atores da comunidade. Essas ações devem integrar políticas públicas intersetoriais voltadas à promoção da educação integral, da inclusão social, da qualificação profissional, da melhoria dos espaços urbanos e da segurança pública preventiva. A implementação coordenada dessas estratégias pode contribuir para a redução dos fatores de risco associados à violência, favorecendo a construção de ambientes escolares mais seguros e propícios à aprendizagem.

Além das ações estruturais, o desenvolvimento das competências socioemocionais constitui importante estratégia de prevenção. Conforme estudos do Instituto Ayrton Senna, o fortalecimento de macrocompetências como autogestão, amabilidade, empatia, responsabilidade e resiliência emocional favorece relações interpessoais mais saudáveis e contribui para a resolução pacífica de conflitos. Nesse contexto, promover uma cultura de paz, fundamentada no diálogo, no respeito à diversidade, na convivência democrática e na valorização dos direitos humanos, representa um caminho essencial para prevenir a violência e assegurar melhores condições para o desenvolvimento integral dos estudantes e para a qualidade da educação.

Por Rodrigo Tarcha Amaral de Souza, diretor de escola, licenciado em Pedagogia, MBA em Liderança e Coaching na Gestão de Pessoas, Mestre e Doutor em Educação. E-mail: rodsouza@educa.pindamonhangaba.sp.gov.br

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