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terça-feira, 16 de junho de 2026

Alimentação saudável e seus impactos na aprendizagem escolar


           

A alimentação saudável é um tema que vem ganhando destaque na sociedade, devido aos benefícios que proporciona ao organismo, bem como aos riscos à saúde provocados pela má nutrição. Na era dos alimentos ultraprocessados, baratos, acessíveis e altamente palatáveis — somada ao fato de que os itens in natura costumam apresentar maior custo —, manter uma dieta equilibrada torna-se cada vez mais desafiador.

O relatório global publicado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), intitulado “Alimentando o Lucro: como os ambientes alimentares estão prejudicando crianças” (2025), aponta que uma em cada cinco crianças e adolescentes no mundo vive com sobrepeso e que, pela primeira vez, a obesidade infantil superou a desnutrição entre jovens de 5 a 19 anos. Trata-se de dados preocupantes, que revelam a força da indústria de alimentos e bebidas açucaradas e ultraprocessadas. Esse cenário é potencializado pela publicidade digital e pelo marketing agressivo, que exploram o prazer imediato proporcionado pelo paladar e, frequentemente, consolidam hábitos prejudiciais à saúde.

As autoridades de saúde e os órgãos públicos desempenham um papel importante na conscientização sobre o tema. No entanto, essa mobilização costuma ocorrer por meio de canais de comunicação limitados e com investimentos insuficientes, como se a divulgação de um simples comunicado de utilidade pública bastasse, sem a necessidade de ampliar recursos em estratégias eficazes de comunicação e educação alimentar.

A escola, por princípio moral, estrutura curricular e respaldo legal, cumpre uma função relevante na conscientização sobre a alimentação saudável, além de promover hábitos alimentares equilibrados, como a diversidade de nutrientes e a regularidade nos horários das refeições. Contudo, a instituição não escapa a críticas por apresentar características de um ambiente obesogênico. Isso ocorre porque alguns contextos favorecem a oferta de alimentos ultraprocessados em cantinas e arredores, o pouco tempo destinado à atividade física, a rotina estressante e acelerada — marcada por avaliações constantes —, além da influência de costumes familiares e culturais pouco saudáveis, os quais podem comprometer a qualidade do ambiente educativo.

É inegável que a alimentação saudável desempenha um papel fundamental no desenvolvimento físico, cognitivo e emocional de crianças e adolescentes, refletindo diretamente no rendimento escolar, na disposição e na qualidade de vida. Alimentar-se de modo equilibrado, tanto em quantidade quanto em nutrientes, favorece o aprendizado, considerando que o ato de aprender exige energia, foco e concentração.

No Brasil, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), administrado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), fornece refeições nutricionalmente adequadas a todas as etapas da educação básica pública. Esse fornecimento deve ser acompanhado de perto pelas equipes gestoras e pelos conselhos escolares, estendendo-se também às condições de infraestrutura, equipamentos e utensílios existentes, a fim de garantir o preparo adequado dos alimentos e evitar riscos de contaminação cruzada.

É verdade que, há muito tempo, está superada a ideia de que a finalidade da alimentação escolar seria apenas combater a evasão escolar. Atualmente, compreende-se que ela constitui também um processo educativo, essencial para o rendimento escolar e para a formação de hábitos saudáveis, além de contribuir para a garantia da segurança alimentar e nutricional.

Cabe, portanto, ao governo, ao setor privado e à sociedade civil — especialmente às famílias dos estudantes — atuar de forma integrada, priorizando a nutrição de crianças e adolescentes e enfrentando conjuntamente as causas da alimentação inadequada em suas diferentes origens. Alimentação saudável no ambiente escolar é possível e é para hoje!        

Por Rodrigo Tarcha Amaral de Souza, diretor de escola, licenciado em Pedagogia, MBA em Liderança e Coaching na Gestão de Pessoas, Mestre e Doutor em Educação. E-mail: rodsouza@educa.pindamonhangaba.sp.gov.br

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