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quarta-feira, 25 de março de 2026

Resiliência educacional: novo mindset para antigos desafios da educação brasileira


             A configuração mental de cada povo é correspondente ao tempo histórico e modo que a formação identitária vai sendo construída, guiada por valores, crenças e pensamentos que moldam a maneira que a pessoa reage aos desafios da vida. A reação no campo da educação brasileira, costumeiramente, é de uma pseudo proatividade, desde o início do período político republicano, mantendo-se uma dicotomia de valores, ao conceber a educação como investimento, mas assumi-la como gasto.

Explanar que a educação é importante, mas não dar mostras reais de valor, tanto por parte do poder público, que, não raramente, elabora leis educacionais desidratadas, com risco de suprimi-la depois por força de ordem econômica, bem como por parte do ator institucional - família, que desempenha o papel de incentivo ao estudo do infante, mas, de igual maneira, substancial parcela falha em sua responsabilização pelo acompanhamento personalizado da execução de atividades de aprendizagem e tarefa escolar, ato educativo tão importante quanto o ensino regular na escola, revelam uma reprodução ideológica de desprestígio à educação.

            No limiar da era digital, no final do século XX, e mais fortemente nos últimos anos do século XXI, considerando o avanço da inteligência artificial, enquanto simulação da capacidade humana de processar informações, tem se tornado ato elementar o monitoramento de resultados educacionais, provenientes de avaliações de larga escala, sendo possível diagnosticar a realidade educacional brasileira de maneira mais confiável, a partir de dados objetivos. Dados recentes do MEC/Inep e organizações não governamentais nacionais e internacionais confirmam que o Brasil mantém desafios a superar de ordem pedagógica, administrativa e financeira no campo da educação, cabendo mais do que nunca, resiliência educacional de toda a sociedade brasileira.

            Por resiliência educacional entende-se ser a capacidade da coletividade escolar – estudantes, profissionais da educação e comunidade educativa, sobretudo as famílias dos estudantes, de se adaptarem aos desafios acadêmicos, resultando em aumento da coragem, foco e persistência em obter resultados educacionais positivos, visando o pleno desenvolvimento humano do estudante, prescrito na vasta legislação educacional brasileira.

            Se por um lado parte da defasagem educacional do estudante diz respeito aos ambientes que lhe são comuns, como família e escola (capital cultural e social) e contexto socioeconômico (capital econômico), cujo “fracasso escolar” enquanto baixo rendimento escolar, representa o nível e o tipo de investimento que as famílias e sociedade depositam na educação de seus filhos/estudantes,  por outro lado, equipe escolar, famílias e estudantes resilientes (resistente, persistente e adaptável) têm mais recursos internos e externos para suplantar a realidade do fracasso escolar, guiados pela lógica do reforço positivo e exemplo contagiante.

            Não está posto aqui a defesa exacerbada da resiliência educacional que resulte em uma excessiva responsabilização dos indivíduos, e ao mesmo tempo, camuflagem da ausência do poder público, em sua responsabilidade de estruturar o sistema educacional do país com políticas públicas consistentes; tal ato tornaria invertido o sentido semântico do termo resiliência, tóxica, diga-se de passagem, pelo quanto resultaria deturpada e instrumentalizada para fins ideológicos, sobretudo de ordem política e econômica.

Ao contrário e, em suma, defende-se aqui a excelência educacional, sob a perspectiva da educação integral, que tem em suas bases a resiliência educacional propositiva, no tempo de escola regular e formação permanente (ao longo da vida), sendo factível ações integradas, tais como: 1) maior vínculo de confiança entre os membros da coletividade escolar, 2) melhor trato humano, respeitoso e fraterno, 3) comunidade cooperativa e propositiva com a sustentabilidade ambiental, 4) criação de espaços socioemocionais equilibrados, 5) elaboração de políticas educacionais consistentes, etc. Resiliência educacional propositiva é possível e é para hoje!

              Por Rodrigo Tarcha Amaral de Souza, diretor de escola, licenciado em Pedagogia, MBA em Liderança e Coaching na Gestão de Pessoas, Mestre e Doutor em Educação. E-mail: rodsouza@educa.pindamonhangaba.sp.gov.br

 


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