A configuração mental de cada povo é correspondente ao tempo histórico e modo que a formação identitária vai sendo construída, guiada por valores, crenças e pensamentos que moldam a maneira que a pessoa reage aos desafios da vida. A reação no campo da educação brasileira, costumeiramente, é de uma pseudo proatividade, desde o início do período político republicano, mantendo-se uma dicotomia de valores, ao conceber a educação como investimento, mas assumi-la como gasto.
Explanar que a
educação é importante, mas não dar mostras reais de valor, tanto por parte do
poder público, que, não raramente, elabora leis educacionais desidratadas, com
risco de suprimi-la depois por força de ordem econômica, bem como por parte do
ator institucional - família, que desempenha o papel de incentivo ao estudo do
infante, mas, de igual maneira, substancial parcela falha em sua
responsabilização pelo acompanhamento personalizado da execução de atividades
de aprendizagem e tarefa escolar, ato educativo tão importante quanto o ensino
regular na escola, revelam uma reprodução ideológica de desprestígio à
educação.
No
limiar da era digital, no final do século XX, e mais fortemente nos últimos
anos do século XXI, considerando o avanço da inteligência artificial, enquanto
simulação da capacidade humana de processar informações, tem se tornado ato
elementar o monitoramento de resultados educacionais, provenientes de
avaliações de larga escala, sendo possível diagnosticar a realidade educacional
brasileira de maneira mais confiável, a partir de dados objetivos. Dados
recentes do MEC/Inep e organizações não governamentais nacionais e
internacionais confirmam que o Brasil mantém desafios a superar de ordem
pedagógica, administrativa e financeira no campo da educação, cabendo mais do
que nunca, resiliência educacional de toda a sociedade brasileira.
Por
resiliência educacional entende-se ser a capacidade da coletividade escolar –
estudantes, profissionais da educação e comunidade educativa, sobretudo as
famílias dos estudantes, de se adaptarem aos desafios acadêmicos, resultando em
aumento da coragem, foco e persistência em obter resultados educacionais
positivos, visando o pleno desenvolvimento humano do estudante, prescrito na
vasta legislação educacional brasileira.
Se
por um lado parte da defasagem educacional do estudante diz respeito aos
ambientes que lhe são comuns, como família e escola (capital cultural e social)
e contexto socioeconômico (capital econômico), cujo “fracasso escolar” enquanto
baixo rendimento escolar, representa o nível e o tipo de investimento que as famílias
e sociedade depositam na educação de seus filhos/estudantes, por outro lado, equipe escolar, famílias e
estudantes resilientes (resistente, persistente e adaptável) têm mais recursos
internos e externos para suplantar a realidade do fracasso escolar, guiados
pela lógica do reforço positivo e exemplo contagiante.
Não
está posto aqui a defesa exacerbada da resiliência educacional que resulte em uma
excessiva responsabilização dos indivíduos, e ao mesmo tempo, camuflagem da
ausência do poder público, em sua responsabilidade de estruturar o sistema
educacional do país com políticas públicas consistentes; tal ato tornaria
invertido o sentido semântico do termo resiliência, tóxica, diga-se de
passagem, pelo quanto resultaria deturpada e instrumentalizada para fins
ideológicos, sobretudo de ordem política e econômica.
Ao contrário e,
em suma, defende-se aqui a excelência educacional, sob a perspectiva da
educação integral, que tem em suas bases a resiliência educacional propositiva,
no tempo de escola regular e formação permanente (ao longo da vida), sendo
factível ações integradas, tais como: 1) maior vínculo de confiança entre os
membros da coletividade escolar, 2) melhor trato humano, respeitoso e fraterno,
3) comunidade cooperativa e propositiva com a sustentabilidade ambiental, 4)
criação de espaços socioemocionais equilibrados, 5) elaboração de políticas
educacionais consistentes, etc. Resiliência educacional propositiva é possível
e é para hoje!
Por Rodrigo Tarcha Amaral de Souza, diretor de
escola, licenciado em Pedagogia, MBA em Liderança e Coaching na Gestão de
Pessoas, Mestre e Doutor em Educação. E-mail: rodsouza@educa.pindamonhangaba.sp.gov.br

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