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sexta-feira, 13 de março de 2026

Prefeitura de Pinda propõe reduzir gastos com a Atividade Delegada

 

​Conforme o projeto de lei enviado esta semana à Câmara Municipal, a atual administração de Pindamonhangaba parece estar satisfeita com os índices de segurança do município. O texto propõe reduzir o contingente da Atividade Delegada — exercida por policiais militares em dias de folga — de 21 para 16 postos diários.

​A economia gerada por essa redução é mínima: não chega a mil reais por dia. Atualmente, a diária paga ao PM em Pinda é de R$ 198,00 por um turno de 6 horas, o que equivale a menos de R$ 33,00 por hora trabalhada. Este é o menor valor da região. Cidades como Taubaté, Tremembé, Aparecida, Guaratinguetá e Lorena pagam diárias acima de R$ 300,00, o que desestimula o interesse dos policiais em atuar no município.

Promessas de Campanha x Realidade

​A segurança pública foi um dos pilares da campanha do prefeito Ricardo Piorino, mas a prática caminha no sentido oposto. Somado à redução no gasto de combustível da Guarda Civil Municipal (GCM), o corte no número de policiais da Atividade Delegada demonstra uma clara falta de planejamento orçamentário da Secretaria de Segurança Pública.

​Em vez de cortes, o orçamento deveria prever a ampliação para 50 policiais por dia e enfrentar pautas urgentes, como:

​Equiparação salarial dos guardas e agentes;

​Criação de um plano de carreira (em negociação com o SINDSERV);

​Aumento da frota de viaturas;

​Estratégias eficazes de combate ao tráfico e furtos.

​Para manter os 21 policiais atuais com uma diária equiparada à região (R$ 300,00), o custo seria de aproximadamente R$ 1.800,00 por dia (de segunda a sábado), totalizando cerca de R$ 44 mil mensais — um valor irrisório diante da estrutura de uma cidade deste porte.

​Comparativo: Ressocialização x Segurança

​É importante valorizar o projeto de ressocialização de detentos, firmado entre a Prefeitura e o Judiciário. O trabalho dos internos auxilia na limpeza urbana e gera remissão de pena. Contudo, o contraste de investimentos é gritante:

​Projeto de Ressocialização: Com a previsão de chegar a 205 detentos em abril, o custo total (auxílio e alimentação) subirá para cerca de R$ 369.200,00 mensais.

​Atividade Delegada: Manter o efetivo atual de 21 policiais custaria ao município apenas R$ 44 mil mensais.

​Os números revelam que a segurança pública não recebe o olhar especial prometido. A redução de braços no policiamento sugere que o staff da prefeitura não está alinhado ao plano de governo para o setor.

O "Golpe" na Câmara e a Derrota do Prefeito

​A discussão ganhou força após a manobra da administração: o projeto de lei foi protocolado na Câmara às 15h de terça-feira (dia 10) e incluído na ordem do dia às 16h45, para ser votado na sessão que se iniciava às 17h. O prefeito Ricardo Piorino tentou aprovar a medida "a toque de caixa", em plena Quaresma.

​No entanto, a manobra falhou. Liderados pelo vereador Norbertinho e acompanhados pelos vereadores Ana Paula, Renato Cebola, Carlos Moura, R. Ramos e Gilson Nagrin, a oposição impôs ao prefeito sua primeira derrota (6x4) nestes 14 meses de administração.

​A expectativa agora é que, na sessão da próxima terça-feira, os vereadores aprovem a manutenção (ou ampliação) dos 21 postos, garantindo que regiões como Araretama, Alto Cardoso, Centro, Crispim, Zona Leste, Moreira César e a zona rural não fiquem desamparadas.

​Walter Magui

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