Temas diversos são expostos nas
mídias digitais e tradicionais o tempo todo. No campo da educação, a velocidade
da comunicação informativa e formativa é menor, exceto com assuntos que
infrinjam a legislação, sobretudo relacionados a algum tipo de violência.
Constata-se que a educação escolar acontece em um silêncio social, seja por não
despertar o interesse cultural, desprovido de dopamina proveniente dos reels
e stories das redes sociais, seja pelo desconhecimento de uma cultura de
marketing educacional propositiva.
Entende-se
marketing educacional, grosso modo, como um conjunto de estratégias e práticas
eficazes que visam destacar o diferencial da instituição. Próprio da iniciativa
privada, visa-se o lucro, a partir de uma maior captação e retenção de alunos, e
comercialização de serviços vinculados à educação. Já o regime de educação
pública, desobrigado de atrair e reter matrículas com finalidade comercial, devido
a gratuidade da oferta do ensino, tem potencial para gerar engajamento
sociocomunitário e pertencimento institucional junto à comunidade educativa, a
fim de promover maior qualidade da educação, por meio de uma gestão democrática
autêntica, dialogável e transparente.
Cabe
recordação de que a finalidade da educação básica é o desenvolvimento integral
do estudante (Art. 22 e 29, LDB, 1996), cujo marketing educacional propositivo
se mostra importante para a difusão e fortalecimento da “marca” escolar,
podendo ser a identidade institucional local e regional, uma política
socioeducacional, ou um projeto sociocomunitário. Marketing educacional em
escola pública requer sinergia de esforços entre família e profissionais da
educação, por meio de comunicação transparente, interação acerca de assuntos
práticos do cotidiano escolar e escuta ativa recíproca, em vista de
melhoramento constante na infraestrutura oferecida e processo de ensino e
aprendizagem escolar.
Compreendido a importância do marketing
educacional, cabe ressaltar também, a importância do endomarketing educacional,
que consiste em uma estratégia de marketing interno, focada em engajar,
motivar, formar e informar colaboradores, transformando-os em defensores e
propagadores da marca escolar. Não se trata de uma comunicação interna
eficiente, mas de uma estratégia gerencial de posicionamento, cuja excelência
pedagógica depende de uma equipe motivada e engajada com o trabalho escolar. Investir
no crescimento da instituição escolar significa manter a equipe motivada, que
por sua vez, de modo natural, passa a gerar maior produtividade pedagógica.
Para
não se tornar uma estratégia superficial, assuntos pertinentes aos
colaboradores não podem ser ignorados pela equipe gestora, cabendo resolução
conjunta, a partir de diálogo horizontal. Desafios tais como: 1) conciliação da
tecnologia e relações humanas, 2) gestão do público qualificado, 3) tempo e
sobrecarga de trabalho, 4) alinhamento com valores pedagógicos, 5) condições de
trabalho personalizado e coletivo, 6) reconhecimento técnico, e 7) progressão
da vida funcional são alguns dos desafios que a equipe gestora e profissionais
da Administração e Recursos Humanos precisam marcar posição.
Em
suma, o “fator sucesso” do trabalho escolar - desenvolvimento integral do
estudante, é um reflexo do marketing e endomarketing educacional, que torna
possível o cumprimento do papel social da escola de formar cidadãos críticos,
participativos e responsáveis. Marketing e endomarketing educacional de modo
colaborativo e ético é possível e é para hoje!
Por Rodrigo Tarcha Amaral de Souza, licenciado
em Filosofia, História e Pedagogia, Mestre e Doutor em Educação, Diretor da
Escola Municipal Serafim Ferreira – “Sr. Sara”.
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