Notícias de pindamonhangaba, WALTER MAGUI NOTÍCIAS, Blog com notícias de pinda e toda região do vale da paraíba.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

NOVEMBRO DE 2025: ENTRE QUEDAS, AVANÇOS E MAIS DESAFIOS NA RUA


Ítalo do Couto Mantovani*

Em meio às rotinas cotidianas de quem vive em Pindamonhangaba, a segurança pública permanece como um dos principais termômetros da qualidade de vida da população. Para além das manchetes e da percepção subjetiva de tranquilidade ou medo nas ruas, os dados oficiais revelam movimentos relevantes e, por vezes, contraditórios: avanços concretos no enfrentamento da violência letal, reduções em crimes que historicamente impactam o cotidiano urbano e, simultaneamente, sinais claros de alerta em modalidades específicas que seguem desafiando o poder público. A comparação entre os números registrados de janeiro a novembro de 2025 e o mesmo período de 2024 indica que, embora o município tenha avançado na redução de homicídios, estupros e parte dos crimes patrimoniais, a dinâmica da criminalidade local continua em transformação, exigindo respostas cada vez mais qualificadas, articuladas e baseadas em evidências.

No recorte das vítimas de homicídio doloso, Pindamonhangaba contabilizou 24 vítimas entre janeiro e novembro de 2025, frente a 28 no mesmo intervalo de 2024. A redução de quatro vítimas, equivalente a aproximadamente 14%, aponta para uma diminuição relevante da letalidade violenta, um dos indicadores mais sensíveis da segurança pública. Os registros de estupro também apresentaram leve recuo: foram 36 casos em 2025, contra 37 em 2024. Chama atenção o fato de que mais de 55% dessas ocorrências seguem relacionadas ao estupro de vulnerável, o que reforça a centralidade de políticas públicas voltadas à proteção de crianças e adolescentes, à prevenção da violência sexual e ao fortalecimento dos mecanismos de denúncia e acolhimento das vítimas.

Nos crimes patrimoniais, o cenário se mostra mais heterogêneo. Os roubos, excluídos os de veículos, apresentaram estabilidade, com leve queda de 177 ocorrências em 2024 para 176 em 2025. Em sentido oposto, os roubos de veículos cresceram de forma expressiva, saltando de 34 para 44 registros no comparativo entre os dois períodos, um aumento de 29%. O dado sugere maior atuação de grupos especializados e possíveis fragilidades no enfrentamento à receptação, crime que sustenta esse tipo de dinâmica criminosa.

Os furtos em geral também apresentaram crescimento, passando de 1.068 ocorrências em 2024 para 1.090 em 2025, um aumento de 22 casos, ou cerca de 2%. Embora percentual­mente modesto, o avanço revela instabilidade no controle desse delito, que afeta diretamente a sensação de segurança da população. Ainda mais preocupante é o comportamento do furto de veículos, que registrou alta expressiva: foram 115 ocorrências em 2025, contra 87 no ano anterior, um crescimento de 32,6%, consolidando esse tipo de crime como um dos principais desafios atuais da segurança pública no município.

O conjunto dos dados indica que Pindamonhangaba atravessa um momento de transição no campo da segurança pública. A redução das vítimas de homicídio doloso e a relativa estabilidade nos registros de estupro podem sinalizar que políticas de prevenção à violência mais grave começam a produzir efeitos concretos, preservando vidas e reduzindo danos sociais profundos. Contudo, a ausência de informações mais detalhadas e análises públicas, tanto por parte da Secretaria de Segurança Pública do Estado quanto da Secretaria Municipal de Segurança, limita a compreensão mais aprofundada sobre as causas desses resultados e sobre sua sustentabilidade no médio e longo prazo. Paralelamente, o avanço dos crimes patrimoniais, especialmente os relacionados a veículos, evidencia novas dinâmicas da criminalidade urbana e reforça a percepção de que a sensação de segurança ainda não acompanha plenamente os indicadores positivos.

Diante desse cenário, torna-se evidente que o enfrentamento da criminalidade exige mais do que respostas pontuais ou ações isoladas. O desafio central para o município é transformar a redução da violência letal em um processo consistente e duradouro, capaz de alcançar também os crimes que impactam diretamente o cotidiano da população. Investimentos em inteligência policial, integração regional para o combate à receptação, ampliação do monitoramento urbano e políticas preventivas voltadas à juventude e à proteção de grupos vulneráveis aparecem como caminhos indispensáveis para evitar que os avanços se percam. Em última instância, os números reforçam uma constatação fundamental: segurança pública não é um estado permanente, mas um equilíbrio frágil, que depende de planejamento contínuo, presença efetiva do Estado e participação ativa da sociedade.

 

* Diretor da Divisão de Estudos e Monitoramento da Coordenadoria da Atividade

Delegada – Secretaria de Governo Municipal da Cidade de São Paulo

Formado em Gestão de Políticas Públicas pela USP

Mestre em Gestão e Desenvolvimento Regional

Graduando e História pela USP

Professor de Cursinho pré-vestibular em São Paulo

Contato: italocmantovani@gmail.com

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário