Entre o cotidiano do
cidadão e os vícios do poder, o Brasil ainda confunde política com corrupção
Quando
se fala em política, grande parte das pessoas pensa imediatamente em partidos,
eleições, escândalos
e corrupção. Essa associação quase automática ajuda a reforçar uma visão
distorcida do que, de fato, é a
política em sua essência. Política não
se limita ao Congresso Nacional, assembléias legislativas, câmaras de deputados
e vereadores nem às disputas eleitorais. Ela está presente nas decisões
coletivas mais simples do cotidiano, nas regras de convivência de um condomínio,
na divisão de tarefas dentro de casa, no diálogo entre pais e filhos e até na escolha de prioridades em
uma família. Política é, antes de tudo, a arte de
conviver, decidir e buscar o bem comum.
O
problema central não está
na política em si, mas na forma como a política partidária vem sendo praticada no
Brasil. Ao longo dos anos, ela se transformou, em muitos casos, em um jogo de
interesses particulares, marcado por disputas de poder, acordos obscuros e
recorrentes casos de corrupção. Esse cenário afasta a população, gera descrença
e cria a falsa ideia de que toda prática política é, por natureza, suja ou ilegítima.
Com isso, perde-se a noção de sua importância como ferramenta de transformação
social.
No
entanto, a política não
é exclusiva
dos políticos. Quando a sociedade compreende seu verdadeiro significado e passa
a exercê-la com responsabilidade, ética
e participação, planta-se uma semente capaz de transformar o futuro. A contradição
aparece quando muitos cidadãos condenam a corrupção, mas, no momento das eleições,
vendem seu voto ou escolhem candidatos que sequer conhecem. Essa prática, ainda
que banalizada, é tão
corrupta quanto os atos que se critica nos representantes eleitos.
Esse
comportamento alimenta um ciclo vicioso que mantém a política
partidária
brasileira distante de sua verdadeira essência. Enquanto a política for vista
apenas como um espaço de vantagem pessoal e não como um compromisso coletivo,
continuará existindo um ecossistema deformado, incapaz de refletir sua beleza,
sua importância e seu potencial de mudança. Romper esse ciclo começa com a compreensão de que a
política começa em
cada escolha cotidiana — e
que dela todos fazem parte.

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