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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

A política está muito além das urnas

 

 

Entre o cotidiano do cidadão e os vícios do poder, o Brasil ainda confunde política com corrupção

 

Quando se fala em política, grande parte das pessoas pensa imediatamente em partidos, eleições, escândalos e corrupção. Essa associação quase automática ajuda a reforçar uma visão distorcida do que, de fato, é a política em sua essência. Política não se limita ao Congresso Nacional, assembléias legislativas, câmaras de deputados e vereadores nem às disputas eleitorais. Ela está presente nas decisões coletivas mais simples do cotidiano, nas regras de convivência de um condomínio, na divisão de tarefas dentro de casa, no diálogo entre pais e filhos e até na escolha de prioridades em uma família. Política é, antes de tudo, a arte de conviver, decidir e buscar o bem comum.

O problema central não está na política em si, mas na forma como a política partidária vem sendo praticada no Brasil. Ao longo dos anos, ela se transformou, em muitos casos, em um jogo de interesses particulares, marcado por disputas de poder, acordos obscuros e recorrentes casos de corrupção. Esse cenário afasta a população, gera descrença e cria a falsa ideia de que toda prática política é, por natureza, suja ou ilegítima. Com isso, perde-se a noção de sua importância como ferramenta de transformação social.

No entanto, a política não é exclusiva dos políticos. Quando a sociedade compreende seu verdadeiro significado e passa a exercê-la com responsabilidade, ética e participação, planta-se uma semente capaz de transformar o futuro. A contradição aparece quando muitos cidadãos condenam a corrupção, mas, no momento das eleições, vendem seu voto ou escolhem candidatos que sequer conhecem. Essa prática, ainda que banalizada, é tão corrupta quanto os atos que se critica nos representantes eleitos.

Esse comportamento alimenta um ciclo vicioso que mantém a política partidária brasileira distante de sua verdadeira essência. Enquanto a política for vista apenas como um espaço de vantagem pessoal e não como um compromisso coletivo, continuará existindo um ecossistema deformado, incapaz de refletir sua beleza, sua importância e seu potencial de mudança. Romper esse ciclo começa com a compreensão de que a política começa em cada escolha cotidiana e que dela todos fazem parte.

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